A  Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) encerrou nesta quarta-feira (13) o leilão da faixa de frequência de 2,5 gigahertz (GHz), que será usada pelas empresas vencedoras para a oferta de serviço da banda larga e telefonia móvel de quarta geração (4G).

No total foram arrecadados R$ 2,930 bilhões com a venda de 54 lotes no leilão – ágio de 31,27% – por seis grupos de empresas. As operadoras que conquistaram os lotes nacionais – Claro, OiTIM e Vivo – devem iniciar a oferta da banda larga 4G no país a partir de abril de 2013 e ainda garantir a oferta de internet e telefonia em áreas rurais, na frequência de 450 megahertz (MHz).

Confira a evolução da banda larga móvel

Confira perguntas e respostas sobre o que foi negociado no leilão de 4G e como a oferta da banda larga ultrarrápida fará diferença em seu dia-a-dia:

Qual será a velocidade da internet 4G?
A velocidade real estimada para as redes 4G representa um acesso de 20 a 40 vezes mais rápido, em média, do que o alcançado com as atuais redes 3G – entre 256 kilobits por segundo (Kbps) e 1 Mbps.

No edital do leilão, a Anatel não definiu as velocidades de acesso que devem ser oferecidas pelos prestadores. Já nas áreas rurais, pela frequência de 450 MHz, as empresas serão obrigadas a oferecer acesso à internet com taxas de transmissão de 256 Kbps de download e 128 Kbps de upload, no mínimo.

Quando o serviço 4G estará disponível?
Pelo cronograma da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em abril do ano que vem todas as cidades-sede de jogos da Copa das Confederações terão que contar com o 4G. Ao final de 2013, o sinal deve estar disponível em todas as sedes e subsedes da Copa de 2014. Entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões deveram ser investidos.

Posso ter problemas para usar o 4G?
Ao avaliar a compra de um smartphone ou tablet com acesso 4G no exterior, o consumidor brasileiro precisa observar se o dispositivo funciona na mesma frequência que será adotada no Brasil (2,5 Ghz). Nos Estados Unidos, por exemplo, a banda larga 4G opera nas frequências de 800/700 MHz e de 2,1 GHz. Isso significa, por exemplo, que o iPad 4G americano não será compatível com as redes 4G brasileiras. Ele vai ficar, no máximo, no acesso 3,5 G, por aqui. Veja a reportagem com as frequências usadas em diferentes países.

Os aparelhos 4G vão custar caro?
Inicialmente sim. Novos aparelhos devem chegar na faixa de R$ 2.500, segundo Bruno Freitas, analista de mercado da IDC Brasil. “Será o mesmo patamar de preço dos smartphones de alta capacidade como iPhone 4S, da Apple, e o mais recente Galaxy S3, da Samsung”, observa.

Vou poder acessar as redes 3G e 2G nos dispositivos 4G?
Sim. A cobertura será “sobreposta”, conforme explica João Moura, presidente da Telcomp, para garantir a cobertura de dados ao usuários. Hoje, em áreas que não são cobertas pelo acesso 3G, o aparelho acessa a internet pela rede de segunda geração. “É mais lento, mas ele garante o acesso”, afirma Moura.

O que foi arrematado no leilão de 4G?
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) leiloou às empresas de telefonia os direitos de uso das faixas de frequência de 450 MHz e de 2,5 MHz. Na faixa de 450 MHz, as operadoras terão de oferecer serviços de voz e dados (internet banda larga) nas áreas rurais. Já na faixa de 2,5 GHz será introduzida no país a telefonia móvel de quarta geração, que permitirá a elevação da qualidade e da velocidade na transmissão de dados.

Teoricamente, o serviço 4G poderia ser prestado em qualquer faixa de frequência (nos EUA, por exemplo, ele é feito na faixa de 700 Megahertz). A escolha do 2,5 GHz se deveu à subutilização da faixa, hoje destinada basicamente à prestação de TV por assinatura via rádio.

O que são as faixas de frequência?
Quando você fala emite uma determinada frequência, formada por ‘ondas sonoras’. A quantidade de oscilações destas ondas por segundo define a medida de hertz (Hz). A frequência da voz humana, por exemplo, começa em 60 oscilações de ondas por segundo (60 Hz). Já uma frequência muito mais alta, como a de 2,5 GHz, gera 2,5 bilhões de oscilações (ciclos) por segundo”, explica o mestre em Engenharia de Telecomunicações, Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. “Em cima desta faixa de 2,5GHz há técnicas de codificação e modulação para fazer com que estas frequências transportem mais informações”, informa.

O que são as bandas dentro da faixa de frequência?
“A Anatel fatiou a faixa de frequência, que na verdade tem um limite entre 2,5Ghz e 2,69 GHz, e criou pistas, que são chamadas de ‘bandas’, para quem uma operadora não cause interferência na transmissão de outras operadoras”, explica João Moura, presidente-executivo da Telcomp (Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações). “Se a Anatel não organizasse esse espectro teríamos problemas similares à interferência provocada por rádios-piratas na comunicação aeronáutica”.

Qual a diferença entre as bandas oferecidas para o 4G?
Para o serviço 4G, a Anatel ofereceu diferentes larguras de banda – 10 MHz e 20 MHz. O professor Gustavo Fraidenraich, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que a frequência funciona como uma estrada por onde são transportadas “cargas”, no caso voz e dados. Quanto mais larga a faixa (banda), mais capacidade enviar e receber informações ela tem.

Tude afirma que a banda de 20 MHz permite enviar e receber o sinal de dados com a mesma velocidade pela tecnologia Frequency Division Duplex (FDD). “Em 20MHz, a operadora tem mais recursos para oferecer serviços de banda larga com velocidades mais altas ou capacidade de transmissão de dados maior com um número menor de torres transmissoras – as estações radiobase (ERBs)”, diz.

Quem venceu o leilão?
As operadoras Claro, Vivo, TIM e Oi arremataram os quatro lotes que permitem a oferta da telefonia e banda larga móvel 4G em todo o país. Por cada lote elas pagaram, respectivamente, R$ 844,518 milhões, R$ 1,05 bilhão, R$ 340 milhões e R$ 330,851 milhões.

Se todas vão oferecer o serviço 4G, por que a diferença de preços? 
Os lotes “W” e “X”, adquiridos por Claro e Vivo, eram os principais do leilão, pois possuem o maior “tamanho”, de 20 MHz. Esses dois lotes vão permitir às empresas oferecer o dobro da capacidade de transmissão de dados e, consequentemente, também possuem um potencial maior de abrigar clientes, em relação àqueles arrematados por TIM e Oi, que têm 10 MHz de “tamanho”.

A diferença no preço pago pela Claro e pela Telefónica nos lotes de 20 MHz (R$ 844,4 milhões contra R$ 1,05 bilhão) se deve, principalmente, as obrigações de investimento na telefonia e banda larga móvel rural atrelados a eles.

Se eram frequências diferentes, por que a telefonia rural influenciou no preço?
Pela regra do leilão, o primeiro lote oferecido foi o da frequência de 450 MHz, para oferta da telefonia rural. Entretanto, nenhuma empresa fez oferta para operar o serviço. Com isso, as quatro vencedoras dos lotes nacionais do 4G ficam obrigadas também a fazer os investimentos necessários para oferta da telefonia rural, conforme prevê o edital.

O lote “W”, vencido pela Claro, traz como obrigação investimento na telefonia móvel rural (tanto voz como banda larga) no Maranhão, Bahia, Grande SP (nos códigos de área 11 e 12) e em todos os estados da região Norte, incluindo aí a Amazônia. Por conta dos obstáculos naturais e isolamento de muitas cidades, o investimento exigido da operadora para oferecer o serviço deverá ser alto.

Já o lote “X”, vencido pela Telefónica/Vivo, traz como obrigação investimento na telefonia móvel rural no interior de São Paulo (menos áreas 11 e 12), Minas Gerais, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, áreas consideradas mais simples, e que deverão demandar menos investimentos. “Para a Vivo vai sair mais barato fazer investimento de internet rural em áreas onde já está presente”, disse Eduardo Tude.

Via G1