A Samsung não tem uma vida fácil. Além de brigar com a Apple no mercado mobile (o que inclusive causou rusgas entre as duas gigantes com troca de acusações sobre plágio), a empresa sul-coreana precisa também se destacar entre as outras rivais da Maçã que utilizam a mesma solução: o sistema operacional Android, do Google. Mas em questão de hardware para smartphones, ao menos até o momento, a Sammy está à frente com o Galaxy S II. Lançado no final de junho no Brasil (ou seja, quase ao mesmo tempo em relação ao resto do mundo), o aparelho é, como o nome diz, uma evolução do Galaxy S anterior. Com mais poder, versão mais recente do Android, melhor tela e mais recursos, a Samsung espera dessa forma desbancar o iPhone 4 como smartphone mais desejado do mercado. Será que consegue? Nesse ponto, pode ser mais uma questão de gosto. Confira mais na nossa análise abaixo.

Software

Como um dos primeiros aparelhos a virem equipados com o Android na versão 2.3.3 “Gingerbread”, o Galaxy S II conta com o que há de mais avançado no sistema operacional do Google para celulares. Há vantagens óbvias, como melhor carregamento de páginas no navegador e maior estabilidade, além de melhorias no Mapas e no Swype, recurso que permite “desenhar” no teclado virtual para conseguir a palavra desejada (e que está funcionando melhor do que nunca agora). Outro ponto positivo é pela interface TouchWiz, que deixa o sistema bonito e com widgets funcionais na tela de início. Diferentemente do Galaxy S original, agora não há tanta a sensação de se tratar de um “iPhone cover”. As soluções do Google, como o mecanismo de buscas, o Gtalk, o Gmail e o Android Market, são apresentadas na primeira tela, mas é possível personalizá-la e adicionar o que quiser. Entre os softwares pré-instalados há o Hero of Sparta HD (um clone do God of War desenvolvido pela Gameloft), um aplicativo da Livraria Cultura (além de um e-reader da loja), o editor de documentos Polaris Office e os programas de sempre em se tratando de Samsung, como Social Hub e Samsung Apps. Ponto positivo vai para o Kies Air, que possibilita o acesso a arquivos e contatos do telefone por meio do navegador do computador, permitindo a transferência de arquivos sem a necessidade de cabos (desde que na mesma rede Wi-Fi).

Hardware

Com um processador dual-core com 1,2 GHz de velocidade, a Samsung afirma que o Galaxy S 2 é o mais rápido do mercado. Não dá para discordar, pois todas as aplicações testadas funcionaram de maneira fluida, sem sequer um engasgo notado durante o tempo que passamos com o aparelho. É uma performance nitidamente superior a qualquer Android no mercado, com apenas produtos mais novos como o Xperia Arc, da Sony Ericsson, chegando perto.

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Mas é a tela que vai fazer você literalmente salivar em alguma loja. Com a tecnologia Super AMOLED Plus (nome pomposo para a técnica proprietária da Samsung de promover alta densidade de pixels com grande contraste em um display de LEDs orgânicos), ela traz a resolução WVGA (480 x 800 pixels) em 4,3 polegadas. É muita coisa em um mercado dominado por displays em torno de 3 polegadas.

Aliás, além de grande, a tela é rápida: a resposta aos comandos touchscreen são tão imediatos quanto em qualquer iPhone. Pode parecer uma comparação desnecessária, mas o smartphone da Apple sempre esteve à frente nesse tempo de reação em comparação à concorrência. Mais um ponto positivo para a Samsung, que apostou nessa melhoria.

Outro avanço claro é que o Galaxy S 2 é o primeiro aparelho do país a já contar com suporte à rede HSPA+, também chamada comercialmente de 4G, capaz de velocidades de até 21 Mbps. Mesmo que ainda não tenhamos tal oferta no Brasil, prevista para ser disponibilizada ainda este ano, mostra o quanto o telefone já está preparado para novas tecnologias.

Vídeo

Com o Galaxy S II é possível reproduzir qualquer tipo de arquivo em MPEG4 H.264, H.263, WMV, DivX, Xvid e VC-1 na resolução até 1920 x 1080 pixels. Nada mal, principalmente para aproveitar a ótima tela do aparelho. Mas o melhor é poder gravar também em Full HD, com fluidez de 30 fps (quadros por segundo). Confira no exemplo gravado, mas leve em consideração que houve pós-processamento na conversão para YouTube. As condições de luz eram baixas, mas há a possibilidade de gravar com o flash de LED ligado (não utilizado para não importunar a modelo da filmagem). É bom notar as nuances de preto, com detalhamento adequado. Mas o foco pode levar algum tempo, o que pode estragar algumas gravações.

Há algumas ressalvas, entretanto. O editor de vídeos é rudimentar, nada de especial. Outro problema foi com o aplicativo AllShare, que transforma o smartphone em um media hub para acesso remoto em outros produtos da Samsung. Nos testes com uma Smart TV, os vídeos apareceram com o formato .3GPP (baseado no MPEG4) e menos da metade conseguiu rodar – não pela conexão Wi-Fi, mas por uma suposta “falta de compatibilidade”. Interessante notar que, no computador, os mesmos arquivos são exibidos com a extensão MPEG4 mesmo.

Foto

Não é nada mal ter 8 megapixels com flash LED, mas tenha em mente que é preciso posar pacientemente bem para a foto. Isso porque o disparador é tão demorado (até cerca de 3 segundos) que momentos rápidos, como registrar uma brincadeira de uma gata, acabam ficando impraticáveis e só vão gerar frustração. Além disso, há certa dificuldade em conseguir estabilizar o foco mais uma vez.

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Caso consiga modelos mais calmos, a imagem sai realmente com ótima qualidade. Há alguns efeitos para quem gosta de fotos do tipo do Instagram. O zoom digital, como em qualquer aparelho, é desnecessário. Nada que estrague a boa qualidade da lente.

Design

Fino (com 8,5 mm de espessura) e elegante, o aparelho é imbatível no visual. Muito melhor do que o Galaxy S, o novo smartphone conseguiu se diferenciar mais do iPhone. Apesar de poder aparentar pouca rigidez, o corpo dele tem bom acabamento. Mas o grande destaque vai para o seu peso, com apenas 116 g. Isso é notável com ele nas mãos. Ainda assim, é de se surpreender que, mesmo com a tela de 4,3 polegadas, o aparelho não parece um monstro. Cabe no bolso e chega a ser menos chamativo do que o modelo anterior. Além disso, possui uma textura e elevação na tampa traseira, o que é agradável quando está realizando ligações.

Adicionais

A grande ausência fica por conta da falta da TV digital, disponível na primeira versão do Galaxy S original. A explicação da Samsung é que não haveria tempo de incluir a função para lançamento do Galaxy S 2 simultâneo com outros países. Mas também, se for para ter a qualidade do padrão 1-seg brasileiro em uma tela com tamanha qualidade (na qual daria para perceber a baixíssima resolução), talvez tenha sido uma boa opção. Há também uma câmera frontal para chamadas em vídeo, algo muito útil para aplicativos como Skype. Mas com 2 megapixels, também dá para realizar algumas fotos básicas ou mesmo vídeos mais narcisistas. Outra boa adição é a inclusão da conectividade Bluetooth 3.0, além do Wi-Fi até a banda “n” para quem tem conexões mais velozes.

A bateria de 1650 mAh é boa, mas o desempenho não é surpreendente. Em média, aguenta por volta de 7 horas, mas pode ser menos dependendo da quantidade de informações push que o usuário utiliza. Outro grande devorador de energia é o uso do 3G – e, imaginamos, também o 4G, quando estiver disponível.

Custo-benefício

Como é de se esperar, para ter toda essa tecnologia de ponta, o consumidor acaba precisando desembolsar uma grande quantia. O Samsung Galaxy S II de 16 GB (única opção por enquanto) sai por R$ 1.999 nas principais operadoras – mais caro do que o Xperia Arc (R$ 1.699) e o próprio iPhone 4 (R$ 1.799 no modelo pré-pago com a mesma capacidade de armazenamento). Vale a pena se você realmente estiver disposto a ser um early-adopter e quer contar com a plataforma mais avançada antes de todo mundo.

Se achar muito caro, saiba que o primeiro modelo, lançado em 2010, deverá ganhar atualização do Android, também passando a oferecer o Gingerbread. Não há nada confirmado, mas os executivos da Samsung deram a entender que poderão oferecer, então, um preço competitivo para esse smartphone, equiparando-o talvez ao iPhone 3GS por R$ 1.000. Vale lembrar, isso não é oficial.