Quando surgiram as primeiras operadoras móveis, os celulares eram analógicos. Naquela época, ter um telefone móvel era por si só um símbolo de status. Não havia grande diferenciação entre os modelos a não ser, talvez, pelo seu design e tamanho. Foi quando surgiu o memorável Startac, da Motorola, que deu origem aos celulares com flip. Dali em diante começou uma corrida frenética entre fabricantes para produzir novidades. Vieram os telefones digitais, as telas coloridas, os celulares com câmera, os modelos com mp3, os teclados Qwerty…

Até que algum marqueteiro (ou jornalista?) cunhou o termo “smartphone” para dar nome àqueles aparelhos mais avançados. A ideia veio quando apareceram os primeiros capazes de trafegar emails e instalar apps. Antes houve outras tentativas de batismo desse segmento: lembro, por exemplo, que alguns institutos de pesquisa chegaram a usar o termo “Wireless PDA” (WPDA), uma adaptação do nome criado pela Palm.

Embora a palavra “smartphone” facilite a vida de publicitários, jornalistas e vendedores, nunca houve um consenso acerca da sua definição. Alguns consideram como “smartphone” somente os aparelhos capazes de instalar e desinstalar aplicativos. Outros adotam uma definição mais abrangente, que engloba qualquer aparelho capaz de navegar na web tradicional.

Avanços tecnológicos e ganhos de escala nos últimos anos estão fazendo com que a maior parte do portfólio dos grandes fabricantes seja composta por smartphones – independentemente da definição que se queira adotar. A Nokia, por exemplo, divide seus aparelhos em duas categorias: “mobile devices” e “smart devices”. Na primeira, estão os modelos com o sistema operacional Symbian S40, que alguns anos atrás não seriam chamados de smartphones, mas que hoje já são capazes de instalar e desinstalar apps, assim como de navegar na web tradicional.

Como a indústria tem a necessidade de diferenciar seus produtos top de linha, com certeza, mais cedo ou mais tarde,será inventado um novo nome para eles. Já li em alguns sites internacionais o termo “superphone”, para descrever aparelhos com processadores dual e quadcore. Ainda não pegou, mas é uma tentativa. Um nome simples e cativante é sempre mais fácil de vender do que uma sopa de letrinhas com uma lista de funcionalidades incompreensíveis para o consumidor leigo. Basta usar a criatividade… e ser convincente.